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MITOLOGIA DA PAIXÃO - Parte II: Acabou a paixão. E agora?

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  Psicanalistas, filósofos, psicólogos, poetas, entre outros, tem pensado sobre o que acontece quando a paixão acaba.  Há muitas possibilidades.  Vamos comentar sobre as três mais comuns.    O romance de  Eros e Psiqué é um bom começo para escrever sobre isso.  Na mitologia grega eles se casaram, mas para tanto, Eros teve que abandonar a vida lasciva em que vivia; deveria buscar outra forma de convivência amorosa.   Inicialmente, ele tentou a indiferença unilateral.   Psiqué sofreu com isso; tentou o suicídio como o fazem os amantes desencontrados; vagou inquieta (Inquietude) e triste (Tristeza) - ambas escravas de Afrodite.   Eros e sua amada f oram castigados por causa da paixão interrompida.    No final da trama, a paixão teve que morrer para permitir o nascimento de uma outra forma de união entre ambos. Vamos perguntar novamente: o que acontece com a paixão quando ela acaba?   Isto quando ela não assombra um dos suje...

O Dilema do Fim da Análise: Estamos presos ou existe uma saída?

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  O Dilema do Fim da Análise: Estamos presos ou existe uma saída?   Por Wagner Chagas de Menezes     Apresentação   A rigor, a grande dúvida que paira sobre quem vai para o divã é: isso tem fim? Existe um "diploma de curado" onde os sintomas desaparecem para sempre, ou a análise é uma jornada infinita, já que o nosso inconsciente nunca para de produzir novidades?   Neste texto, vamos confrontar a visão do "pai" da psicanálise, Sigmund Freud (06/05/1856 - 23/09/1939) , com a releitura revolucionária de Jacques Lacan (13/04/1901 - 09/09/1981) . Chamaremos esse problema de o "dilema do fim": se a descoberta sobre nós mesmos pode ser infinita, em que momento podemos dizer "chega, o trabalho está feito"?     A Descoberta de Freud (1937): O Muro da Biologia   Já no final da vida, em um texto célebre chamado "Análise terminável e interminável", Freud tentou definir quando o tratamento acabava. A conclusão dele foi pessimista: o pro...

OS PREMIADOS DO OSCAR: os americanos falaram para alguns americanos.

Por Wagner Chagas de Menezes, em 03/03/2025 Todos os premiados pela Academia de cinema dos EUA, o foram também porque enviaram um duro recado para a politica externa dos governos norte-americamos e suas alianças espúrias.  Houve uma nítida demarcação de posições, inclusive contrárias ao trumpismo. "Brutalista" aborda a questão  da imigração e a brutalidade que a envolve para entrar e sair dos EUA.   "Ainda Estou Aqui" fala do horror que foi a ditadura no Brasil e como a apropriação do Estado por meio de um golpe empresarial-militar autoritário e violento impactou em uma família injustiçada, bem como em sua luta para se manter sã, unida e esperançosa.   O   documentário palestino, "No Other Land", dirigido por uma parceria entre um cineasta israelense e um  palestino, tira a máscara e mostra a crueldade com um bofetada na política pro-sionista de Washington por trás da destruição de casas na Cisjordânia por tropas israelenses.    "An...

A GUERRA ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA: a serpente, seus ovos e seu ninho em alguns arquivos da ONU

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  Por Wagner Chagas de Menezes, em 26/04/2023   Apresentação     Recentemente, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi criticado pela mídia privada corporativa por também ter colocado nas costas da OTAN a responsabilidade pela invasão da Ucrânia pela Rússia.   Este desenlace bélico foi sendo construído lentamente dentro do território ucraniano bem antes de 2014, quando eclodiu a revolta colorida denominada Euromaidan (Primavera Ucraniana: 2013-2014) contra um governo democraticamente eleito, mas que por ser próximo da Federação Russa, começou a ser sabotado por agentes da inteligência norte-americana e até mesmo seus altos funcionários.  Contudo, os documentos públicos da ONU já apontavam a construção do conflito pelo menos a partir de 2005, como demonstram algumas fontes aqui apresentadas.  Há dezenas de outras interligadas, mas que sua análise fugiria ao objetivo desse texto.  Também é interessante ressaltar que, até o presente momento, ...

O café-com-leite da Psicanálise sem enrolações, sem mistificações e sem ritualizações

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  Por Wagner C. de Menezes*   Tem muita gente embolando o meio de campo e complicando o que é relativamente simples na Psicanálise. Vamos voltar ao básico, sem complicações.      A Psicanálise se propõe a ensinar cinco lições básicas sobre suas descobertas:           1) Os histéricos (neuróticos) vivem de reminiscências;           2) A resistência à mudança é fruto da repressão de desejos conflitivos e o seu resultado é o sintoma neurótico, até que ele encontre três saídas possíveis: A) a sublimação; C)  a aceitação do desejo; C) a aceitação da justiça da repulsa do desejo;           3) A técnica psicanalítica consiste em: a) Associação livre (oportunidade para se fazer as retificações subjetivas da fala do analisando); b) Análise dos chistes e atos falhos; c) Interpretação dos sonhos;           4) Os conflitos sexuais são as raízes dos ...

O MAL-ESTAR DA PSICANÁLISE

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 Por Wagner Chagas de Menezes e Álvaro Senra Por Wagner Menezes e Álvaro Senra  Apresentação Sabemos que a psicanálise nasceu liberal, no contexto da política e da cultura liberais, europeia e vitoriana, que clamava pelo surgimento de uma forma de tratamento para as doenças psíquicas por ela mesma criada.  Neste caso, a então chamada histeria e toda a sua coleção de sintomas.  A histeria foi o produto psíquico dos conflitos existenciais e sexuais da cultura do liberalismo e naquele momento histórico-cultural a psicanálise surgiu como resposta do seu tempo. Até onde sei, a psicanálise só tem expressividade na França, no Brasil e na Argentina.  Recentemente, há uns poucos anos, assisti a um documentário sobre a psicanálise na China, então, talvez um dia ela lá também possa ecoar... No Brasil, a psicanálise atingiu proporções bem expressivas.  Exatamente por ser um tratamento caro e de difícil acesso, até mesmo muito elitizado é que levantamos a hipóte...

SENTIMENTOS DE CULPA: as formas de gozar com a dor

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  Por Wagner Chagas de Menezes. Psicanalista e Historiador A culpa é um Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego (MIDE) universal. Ela está diretamente ligada e submetida aos pressupostos culturais e históricos de cada sociedade. A ideia de que somente o sofrimento pode permitir a expiação da culpa, vem desde as manifestações anímicas dos povos primitivos; daí toda religião se amparar e explorar o binômio culpa-expiação. Não existe nenhuma alma viva, com exceção dos psicopatas, que não tenha usado a culpa como uma forma de diluir a tensão nervosa. Isto se dá porque a culpa é o mais primitivo dos MIDE, pois surge da relação primeira entre os sujeitos e seus pais, desde a mais tenra idade. É praticamente impossível fugir dela. Mesmo pessoas bem analisadas a sente, mas ponderam sobre ela de uma forma mais produtiva, procurando elaborar suas causas e destinações. Como os processos neuróticos são apenas quantitativamente diferentes dos processos normais, a linha entre estes e aqueles...