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O SUPEREGO COMO PARTE DO PROBLEMA (Por Francisco Daudt)

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Por Francisco Daudt “Você acha que acrescentou alguma coisa às teorias psicanalíticas que já existem?” FD: Creio que sim. Espero ser refutado, que alguém venha me mostrar artigos em que minha hipótese já tenha sido descrita. Mas, como em 45 anos de psicanálise clínica nunca li ou ouvi nada de parecido, tenho a impressão de que, sim, é algo novo. Não apenas novo, mas crucial no jeito de se entenderem as doenças psíquicas e na maneira de se criar uma estratégia de tratamento delas. Trata-se de uma nova maneira de ver o Superego. Há uma crença antiga, seja no senso comum, seja na psicanálise, de que o Superego é necessário para a ética, para os processos civilizatórios do indivíduo, para ele ser correto, para eliminação de suas doenças psíquicas e de seus vícios. “Quem não tem Superego é psicopata, é serial killer, é preciso sentir culpa para se andar na linha!”, seria o resumo desse pensamento, dessa crença. Para questioná-lo, é preciso entender o que ele é e como funciona. O Superego é ...

O LADO BRILHANTE DA ESCURIDÃO: a depressão como meio para a solução de problemas

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                                                                                                         Por Wagner Chagas de Menezes Apresentação          Em julho de 2009 foi publicado nos EUA a maior e, até o presente, a mais completa metanálise sobre a depressão.  Os autores , Paul W. Andrews e J. Anderson Thomson Jr., são pesquisadores associados aos departamentos de psicologia e psiquiatria da Virginia Commonwealth University e escreveram suas descobertas no fabuloso estudo denominado “ The bright side of being blue: depression as an adaptation for analyzing complex problems ” (*) (O lado brilhante de ser triste: depressão...

Jogou-se do 40º andar, mas ao passar pelo 25º andar viu uma comemoração pela janela e disse para si mesmo: "Até aqui tudo bem!"

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  MECANISMOS INEFICAZES DE DEFESA DO EGO III: racionalização Por Wagner Menezes*      O Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego, denominado racionalização, consiste na escolha dos mais aceitáveis motivos, dentre um complexo deles, para explicar um específico comportamento. Ao fazer a escolha, o ego passa a permitir a repressão de outros motivos inconscientes, inaceitáveis. A racionalização é um MIDE muito comum de se observar. A identificação do discurso racionalizante no analisante se dá pela observação da articulação semântica das suas frases explicativas. Franz Alexander propõe que o racionalizador descreve as respostas para suas perguntas por negação e não por afirmação. Por exemplo, pergunta: “Por que você ajudou seu amigo?”; resposta de um racionalizador: “Ajudei-o por lealdade e não porque desejasse ser superior a ele”. A segunda oração foi gerada para justificar a primeira. É nela que se encontra a intenção inconsciente, ou seja, “ser superior a ele”. Ness...

A PSICANÁLISE EXPULSA O "DEMÔNIO" DAS PESSOAS...(MIDE IV)

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  Por Wagner Chagas de Menezes - Psicanalista e Historiador             A conversão é o mais mecânico dos MIDE (Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego).  Trata-se de uma atividade defensiva que vem em socorro e fortalecimento da repressão toda vez que ela vacila em manter material conflitivo mentalmente contido.              Com este mecanismo, uma tendência estranha, que tenta aflorar ao consciente, sofre uma repressão gigantesca, gerando o escoamento da tensão por meio de uma manifestação elétrica do pensamento reprimido ou recalcado por certas inervações do sistema neuromuscular voluntário e sensorial.             A conversão é a manifestação mecânica presente no "Transtorno de Conversão, o qual, até os anos 1950, era chamado de crise de histeria.  As formas mais comuns de sua apresentação são as paralisias, as contrações, os...

MITOLOGIA DA PAIXÃO - Parte II: Acabou a paixão. E agora?

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  Psicanalistas, filósofos, psicólogos, poetas, entre outros, tem pensado sobre o que acontece quando a paixão acaba.  Há muitas possibilidades.  Vamos comentar sobre as três mais comuns.    O romance de  Eros e Psiqué é um bom começo para escrever sobre isso.  Na mitologia grega eles se casaram, mas para tanto, Eros teve que abandonar a vida lasciva em que vivia; deveria buscar outra forma de convivência amorosa.   Inicialmente, ele tentou a indiferença unilateral.   Psiqué sofreu com isso; tentou o suicídio como o fazem os amantes desencontrados; vagou inquieta (Inquietude) e triste (Tristeza) - ambas escravas de Afrodite.   Eros e sua amada f oram castigados por causa da paixão interrompida.    No final da trama, a paixão teve que morrer para permitir o nascimento de uma outra forma de união entre ambos. Vamos perguntar novamente: o que acontece com a paixão quando ela acaba?   Isto quando ela não assombra um dos suje...

O Dilema do Fim da Análise: Estamos presos ou existe uma saída?

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  O Dilema do Fim da Análise: Estamos presos ou existe uma saída?   Por Wagner Chagas de Menezes     Apresentação   A rigor, a grande dúvida que paira sobre quem vai para o divã é: isso tem fim? Existe um "diploma de curado" onde os sintomas desaparecem para sempre, ou a análise é uma jornada infinita, já que o nosso inconsciente nunca para de produzir novidades?   Neste texto, vamos confrontar a visão do "pai" da psicanálise, Sigmund Freud (06/05/1856 - 23/09/1939) , com a releitura revolucionária de Jacques Lacan (13/04/1901 - 09/09/1981) . Chamaremos esse problema de o "dilema do fim": se a descoberta sobre nós mesmos pode ser infinita, em que momento podemos dizer "chega, o trabalho está feito"?     A Descoberta de Freud (1937): O Muro da Biologia   Já no final da vida, em um texto célebre chamado "Análise terminável e interminável", Freud tentou definir quando o tratamento acabava. A conclusão dele foi pessimista: o pro...