NOTAS SOBRE A PAIXÃO ROMÂNTICA OU ASSIM É SE LHE PARECE
Almeida Júnior (1850-1899). Moça com livro Já ouvi dizer que, numa tentativa de provocar o pai da psicanálise sobre a eterna lutar entre desejos e repressão à realização de desejos, lhe perguntaram o que estava certo. Nessa conversa não confirmada, sua resposta foi curta e profunda: “Está certo aquilo que dá certo”. Obviamente, se Freud respondeu isso, ele não estava levando em consideração a legalidade ou a justiça do ato, mas a consecução do desejo. Assim, se um meliante furta a bolsa de uma idosa indefesa, não se pode negar sobre qualquer ponto de vista da realidade material que o ocorrido é um delito e deve ser punido na forma da lei. Mas da perspectiva do ladrão e do seu desejo, este não era correto a priori, mas tornou-se a posteriori quando foi bem-sucedido. Deu certo porque ele estava certo em fazê-lo. Estranho, não? Mas o que tem isto a ver com as paixões românticas? Tudo, como v...