O café-com-leite da Psicanálise sem enrolações, sem mistificações e sem ritualizações
Por Wagner C. de Menezes*
Tem muita gente embolando o meio de campo e complicando o que é relativamente simples na Psicanálise. Vamos voltar ao básico, sem complicações.
A Psicanálise se propõe a ensinar cinco lições básicas sobre suas descobertas:
1) Os histéricos (neuróticos) vivem de reminiscências;
2) A resistência à mudança é fruto da repressão de desejos conflitivos e o seu resultado é o sintoma neurótico, até que ele encontre três saídas possíveis: A) a sublimação; C) a aceitação do desejo; C) a aceitação da justiça da repulsa do desejo;
3) A técnica psicanalítica consiste em: a) Associação livre (oportunidade para se fazer as retificações subjetivas da fala do analisando); b) Análise dos chistes e atos falhos; c) Interpretação dos sonhos;
4) Os conflitos sexuais são as raízes dos sintomas psicopatológicos. São os instintos de natureza sexual que movimentam os homens desde a mais tenra infância;
5) É por meio da transferência que conteúdos reprimidos ou recalcados afloram no pré-consciente e são projetados no psicanalista (transferência) até ganharem outro destino: A) o analisando “pode talvez dominar perfeitamente aquilo que lhe é hostil”; os impulsos inconscientes passam a ter uma utilização mais conveniente por meio da sublimação, ou seja, canalizando a energia dos desejos infantis de ordem sexual para outras funções mentais de maior valor social sem, necessariamente, reprimir a totalidade dos desejos libidinais; b) Uma parte dos desejos libidinais, ainda que reprimidos, faz jus à satisfação direta, ou seja, o analista não deve se empenhar em desviar a totalidade da libido de sua finalidade primitiva.
Fonte: Freud, Sigmund. Cinco lições de Psicanálise, Leonardo da Vinci e outros trabalhos (1910). ESOPC, Vol. XI. Rio de Janeiro : Imago, 1996, p.27-64.
*Wagner Chagas de Menezes é Psicanalista e Historiador.

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