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O SUPEREGO COMO PARTE DO PROBLEMA (Por Francisco Daudt)

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Por Francisco Daudt “Você acha que acrescentou alguma coisa às teorias psicanalíticas que já existem?” FD: Creio que sim. Espero ser refutado, que alguém venha me mostrar artigos em que minha hipótese já tenha sido descrita. Mas, como em 45 anos de psicanálise clínica nunca li ou ouvi nada de parecido, tenho a impressão de que, sim, é algo novo. Não apenas novo, mas crucial no jeito de se entenderem as doenças psíquicas e na maneira de se criar uma estratégia de tratamento delas. Trata-se de uma nova maneira de ver o Superego. Há uma crença antiga, seja no senso comum, seja na psicanálise, de que o Superego é necessário para a ética, para os processos civilizatórios do indivíduo, para ele ser correto, para eliminação de suas doenças psíquicas e de seus vícios. “Quem não tem Superego é psicopata, é serial killer, é preciso sentir culpa para se andar na linha!”, seria o resumo desse pensamento, dessa crença. Para questioná-lo, é preciso entender o que ele é e como funciona. O Superego é ...

Jogou-se do 40º andar, mas ao passar pelo 25º andar viu uma comemoração pela janela e disse para si mesmo: "Até aqui tudo bem!"

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  MECANISMOS INEFICAZES DE DEFESA DO EGO III: racionalização Por Wagner Menezes*      O Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego, denominado racionalização, consiste na escolha dos mais aceitáveis motivos, dentre um complexo deles, para explicar um específico comportamento. Ao fazer a escolha, o ego passa a permitir a repressão de outros motivos inconscientes, inaceitáveis. A racionalização é um MIDE muito comum de se observar. A identificação do discurso racionalizante no analisante se dá pela observação da articulação semântica das suas frases explicativas. Franz Alexander propõe que o racionalizador descreve as respostas para suas perguntas por negação e não por afirmação. Por exemplo, pergunta: “Por que você ajudou seu amigo?”; resposta de um racionalizador: “Ajudei-o por lealdade e não porque desejasse ser superior a ele”. A segunda oração foi gerada para justificar a primeira. É nela que se encontra a intenção inconsciente, ou seja, “ser superior a ele”. Ness...

MITOLOGIA DA PAIXÃO - Parte II: Acabou a paixão. E agora?

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  Psicanalistas, filósofos, psicólogos, poetas, entre outros, tem pensado sobre o que acontece quando a paixão acaba.  Há muitas possibilidades.  Vamos comentar sobre as três mais comuns.    O romance de  Eros e Psiqué é um bom começo para escrever sobre isso.  Na mitologia grega eles se casaram, mas para tanto, Eros teve que abandonar a vida lasciva em que vivia; deveria buscar outra forma de convivência amorosa.   Inicialmente, ele tentou a indiferença unilateral.   Psiqué sofreu com isso; tentou o suicídio como o fazem os amantes desencontrados; vagou inquieta (Inquietude) e triste (Tristeza) - ambas escravas de Afrodite.   Eros e sua amada f oram castigados por causa da paixão interrompida.    No final da trama, a paixão teve que morrer para permitir o nascimento de uma outra forma de união entre ambos. Vamos perguntar novamente: o que acontece com a paixão quando ela acaba?   Isto quando ela não assombra um dos suje...

O Dilema do Fim da Análise: Estamos presos ou existe uma saída?

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  O Dilema do Fim da Análise: Estamos presos ou existe uma saída?   Por Wagner Chagas de Menezes     Apresentação   A rigor, a grande dúvida que paira sobre quem vai para o divã é: isso tem fim? Existe um "diploma de curado" onde os sintomas desaparecem para sempre, ou a análise é uma jornada infinita, já que o nosso inconsciente nunca para de produzir novidades?   Neste texto, vamos confrontar a visão do "pai" da psicanálise, Sigmund Freud (06/05/1856 - 23/09/1939) , com a releitura revolucionária de Jacques Lacan (13/04/1901 - 09/09/1981) . Chamaremos esse problema de o "dilema do fim": se a descoberta sobre nós mesmos pode ser infinita, em que momento podemos dizer "chega, o trabalho está feito"?     A Descoberta de Freud (1937): O Muro da Biologia   Já no final da vida, em um texto célebre chamado "Análise terminável e interminável", Freud tentou definir quando o tratamento acabava. A conclusão dele foi pessimista: o pro...

OS PREMIADOS DO OSCAR: os americanos falaram para alguns americanos.

Por Wagner Chagas de Menezes, em 03/03/2025 Todos os premiados pela Academia de cinema dos EUA, o foram também porque enviaram um duro recado para a politica externa dos governos norte-americamos e suas alianças espúrias.  Houve uma nítida demarcação de posições, inclusive contrárias ao trumpismo. "Brutalista" aborda a questão  da imigração e a brutalidade que a envolve para entrar e sair dos EUA.   "Ainda Estou Aqui" fala do horror que foi a ditadura no Brasil e como a apropriação do Estado por meio de um golpe empresarial-militar autoritário e violento impactou em uma família injustiçada, bem como em sua luta para se manter sã, unida e esperançosa.   O   documentário palestino, "No Other Land", dirigido por uma parceria entre um cineasta israelense e um  palestino, tira a máscara e mostra a crueldade com um bofetada na política pro-sionista de Washington por trás da destruição de casas na Cisjordânia por tropas israelenses.    "An...

A GUERRA ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA: a serpente, seus ovos e seu ninho em alguns arquivos da ONU

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  Por Wagner Chagas de Menezes, em 26/04/2023   Apresentação     Recentemente, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi criticado pela mídia privada corporativa por também ter colocado nas costas da OTAN a responsabilidade pela invasão da Ucrânia pela Rússia.   Este desenlace bélico foi sendo construído lentamente dentro do território ucraniano bem antes de 2014, quando eclodiu a revolta colorida denominada Euromaidan (Primavera Ucraniana: 2013-2014) contra um governo democraticamente eleito, mas que por ser próximo da Federação Russa, começou a ser sabotado por agentes da inteligência norte-americana e até mesmo seus altos funcionários.  Contudo, os documentos públicos da ONU já apontavam a construção do conflito pelo menos a partir de 2005, como demonstram algumas fontes aqui apresentadas.  Há dezenas de outras interligadas, mas que sua análise fugiria ao objetivo desse texto.  Também é interessante ressaltar que, até o presente momento, ...

O café-com-leite da Psicanálise sem enrolações, sem mistificações e sem ritualizações

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  Por Wagner C. de Menezes*   Tem muita gente embolando o meio de campo e complicando o que é relativamente simples na Psicanálise. Vamos voltar ao básico, sem complicações.      A Psicanálise se propõe a ensinar cinco lições básicas sobre suas descobertas:           1) Os histéricos (neuróticos) vivem de reminiscências;           2) A resistência à mudança é fruto da repressão de desejos conflitivos e o seu resultado é o sintoma neurótico, até que ele encontre três saídas possíveis: A) a sublimação; C)  a aceitação do desejo; C) a aceitação da justiça da repulsa do desejo;           3) A técnica psicanalítica consiste em: a) Associação livre (oportunidade para se fazer as retificações subjetivas da fala do analisando); b) Análise dos chistes e atos falhos; c) Interpretação dos sonhos;           4) Os conflitos sexuais são as raízes dos ...