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EDUCAR É UMA MISSÃO IMPOSSÍVEL: o “Intruso Importuno” diante do espelho

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  Por Wagner Chagas de Menezes – Psicanalista e Historiador Freud escrevia ensinando.  De certa forma também era um educador.  Mas tinha consciência de que a Psicanálise não tinha nenhuma contribuição a dar sobre o que fazer para educar, mas sabia que era possível ela demonstrar o que não fazer para que houvesse educação .   Freud buscava construções frasais de fácil entendimento.  Mesmo quando usava um termo científico, logo em seguida explicava-o dando exemplos.  Foi contando uma história que ele explicou como atua o desejo recalcado.  Para ele, esse desejo era, em suas próprias palavras, um “Intruso Importuno”.   Doravante vamos chamá-lo como tal, como se esse fosse seu nome próprio.    Abaixo vamos contar uma história para você entender isso...  Freud já havia escrito uma história semelhante.  Mas ampliamos o contexto para um melhor entendimento de parte da teoria e do método psicanalítico.   Imagina qu...

BODERLINE: aquele que vai de si para o outro sem ser uma coisa ou outra.

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Por Wagner Chagas de Menezes.  Psicanalista e Historiador Um psicanalista foi  o primeiro a notar  que havia algo diferentemente novo em alguns dos seus clientes.  Esses  apresentavam um conjunto de sintomas que não ao permitiam situá-los exatamente nas psiconeuroses ou na psicose.  Diante do problema, concluiu que seria melhor enquadrar esses analisandos naquilo que classificou de "grupo limítrofe".   Em 1938 Adolph Stern escreveu  “Psychoanalitic investigation of and the therapy in the borderline group of neuroses”, The Psychoanalytic Quarterly, vol. 7, 1938, pp. 467-489.",  o primeiro texto sobre o que hoje se chama Transtorno de Personalidade Boderline.  Este texto lançou as bases do diagnóstico desse transtorno psíquico e que são aceitas e usadas até hoje.  Ultimamente, tenho visto muitas pessoas serem diagnosticadas como boderlines.  No Facebook há alguns grupos de usuários, com milhares de participantes, que foram o...

CASO NÃO SE GOZE AGORA BROCHA-SE PARA SEMPRE?: ainda está valendo a pena ou não adiar a satisfação de um desejo imediato?

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 Por Wagner Menezes - Psicanalista e Historiador             A mente funciona como um sistema econômico de investimentos.  Em uma economia de mercado e de investimentos simbólicos e financeiros todo mundo quer investir para ganhar; e quanto mais rápido melhor.  Obter a maior satisfação com o menor de dispêndio de energia psíquica é o Santo Graal do exercício de investimento dos desejos da esmagadora maioria  das pessoas.  Por tudo isso é que o "princípio da evitação do desprazer" é o fundamento da economia psíquica. É aí que reside a  grande armadilha que prende as pessoas a um casamento infeliz; a um emprego medíocre; a amizades desproporcionais ou até tóxica e até a governos autoritários e que governam  contra o bem estar individual ou coletivo.   Tudo bem que um pouco de frustração na vida nos faz crescer e amadurecer quando bem elaborada.  Isso pode acontecer se a frustração vier imediatamente a...

A EFICÁCIA DA PSICANÁLISE

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               Por meio de metanálise, “os pesquisadores Falk Leichsenring, professor de psicossomática e psicoterapia da Universidade de Giessen, e Steven Rabung, professor de psicologia médica da Universidade de Hamburgo-Eppendorf, conduziram estudo sobre a eficácia da psicanálise.”  A metanálise, ao empregar avançados métodos estatísticos, “permite equalizar estudos individuais de diferentes tipos, formando assim uma idéia de consenso.” As metafontes foram mais de mil de estudos clínicos, entre 1960 e 2008, com mais de 50 sessões ou mais de um ano.  Os pesquisadores também elaboraram uma definição de psicanálise para diferenciá-la de todas as outras formas de terapia, para termos de estudos e comparações, psicanálise ficou assim definida: “(...) uma terapia que envolve cuidado atento para a interação entre paciente e terapeuta, com interpretações pensadas no tempo, na transferência e na resistência, implicando apreciação sofist...

O JOGO DOS ESPELHOS (MIDE VI): identificação

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  “Máscaras”, 1938, Lasar Segall, óleo sobre tela. Foto: Reprodução Por Wagner Chagas de Menezes Nem toda identificação pode ser considerada um Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego (MIDE).  Há uma forma saudável de identificação que faz parte da construção da personalidade e do caráter do sujeito.  Trata-se daquela em que os valores da civilização e os padrões de comportamentos socialmente aceitos foram assimilados pelo superego das crianças por meio da identificação com os mesmos padrões nos pais.  Neste processo, o ego evolui sem solavancos; sem uma diferenciação muito extrema entre o ego e o superego.  Isto é mais comum quando o sujeito tem um ideal de ego, um modelo equilibrado com o qual se identifica.   Contudo existem formas mórbidas de desenvolvimento da identificação como mais um Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego.  Em todas estas formas, um superego muito investido passa a ser sentido como um corpo estranho no interior da personalidade d...

MECANISMOS INEFICAZES DE DEFESA DO EGO V: fixação, o parceirão da regressão

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  Por Wagner Chagas de Menezes - Psicanalista e Historiador           A fixação como MIDE (Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego) funciona como um complemento da regressão.  Como mecanismos “parceiros”, a fixação precisa da regressão para ser desentocada.  Para Freud, toda neurose implicaria numa fixação, mas nem toda fixação levaria à neurose.             Sinteticamente, a fixação visa defender o ego, mantendo cristalizadas e  enquistadas as fantasias, sentimentos ou condutas relativas a uma determinada época do desenvolvimento psicossexual.             O sujeito adulto, fixado em alguma fase do seu desenvolvimento primário, quando ameaçado, protege-se regredindo à fase em que está fixado.  Isso ocorre por ter sido ela uma zona de conforto no seu tempo mas que, geralmente por pressões e condicionamentos culturais, o sujei...

MECANISMOS INEFICAZES DE DEFESA DO EGO III: Formação Reativa

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       Trata-se de um mecanismo ineficaz de defesa do ego que se evidecia quando um sujeito adota um comportamento oposto ao desejo original, ou seja, substitui o conteúdo produtor de angústia pelo seu oposto.            Um bom exemplo é o genro que diz amar sua sogra como se sua mãe fosse.   Contudo, o impulso original é de ódio.   Desta forma, ele está substituindo o ódio por sua mãe, que talvez tenha componentes concretos neste sentimento, pelo amor por uma outra mulher com a qual não tem história pregressa de conflitos, mas que representa a mãe.   Este amor reativo é diferente do amor real na medida em que ele se apresentará exagerado e extravagante, mascarado pela compulsividade.   Um outro exemplo pode ser daquele sujeito que tem baixa estima devido a um histórico de maus tratos, não se sente suficientemente competente para o cargo que ocupa por ter baixa escolaridade, mas que foi progredind...