MECANISMOS INEFICAZES DE DEFESA DO EGO V: fixação, o parceirão da regressão

 


Por Wagner Chagas de Menezes - Psicanalista e Historiador

 

      A fixação como MIDE (Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego) funciona como um complemento da regressão.  Como mecanismos “parceiros”, a fixação precisa da regressão para ser desentocada.  Para Freud, toda neurose implicaria numa fixação, mas nem toda fixação levaria à neurose.

            Sinteticamente, a fixação visa defender o ego, mantendo cristalizadas e  enquistadas as fantasias, sentimentos ou condutas relativas a uma determinada época do desenvolvimento psicossexual.

            O sujeito adulto, fixado em alguma fase do seu desenvolvimento primário, quando ameaçado, protege-se regredindo à fase em que está fixado.  Isso ocorre por ter sido ela uma zona de conforto no seu tempo mas que, geralmente por pressões e condicionamentos culturais, o sujeito foi levado a reprimi-la.  Por exemplo, esse é o caso dos ansiosos que, diante de uma ameaça visível ou inconsciente, recorrem a expedientes que lhe remetam diretamente à fase fixada, a famosa zona de conforto em termos psicanalíticos.  Isto é muito comum nos casos das compulsões, tais como roer unhas.  Aí há uma nítida fixação na fase oral, já que o momento da amamentação para praticamente todos os humanos, foi um instante de muito conforto, acolhimento e segurança.  Outro exemplo é aquele relativo a adultos que fazem birras quando contrariados, tais como uma criança.  Neste caso, também estão em regressão a uma fase fixada, na qual seus desejos imediatos eram imediatamente atendidos sem nenhuma oposição ou ponderação.

Quando algo que está fixado vem à tona no setting analítico, o psicanalista está diante da chamada neurose de transferência.  Nesse caso, o psicanalista tem uma ótima oportunidade de ver algo inconsciente em ato.  Apesar de ser menos comum do que se imagina, essa forma de acting out pode ajudar o psicanalista a melhor identificar e  localizar o que, como e quando foi fixado.

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