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Disse Lacan: "A mulher é o sintoma do homem; o homem é uma devastação para uma mulher".

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Por Linda Reis - Psicanalista Salvador Dali.  Pessoa com duas cabeças, 1968.   A Mulher A mulher não existe. Isto é, o significante "mulher" não existe,uma vez que ela é faltosa, nela há um vazio. Ela reside em um lugar que nem nome tem. Por isso ela busca um homem a título de significante. É só de onde ele a vê que ela pode ter um inconsciente. Através dele ela pode restaurar sua identificação fálica. A sua demanda de amor é sobretudo uma demanda de ser. Se o homem fracassa nessa tarefa, isso será para ela uma devastação, visto que evocará a castração e a impossibilidade de receber uma identificação. Lembrando que, para Lacan, A mulher não existe. Isto é, o significante mulher. O que existe é UMA mulher. A visão da mulher como um ser, a psicanálise não consegue definir, tamanha a sua complexidade. Daí porque só é possível alcançá-la pelo homem.  Lembrando, ainda, que feminino e masculino na psicanálise não tem a ver com sexo, necessariamente, pois são posições de gozo. ...

SONHO DE UM SONHO: poema de Drumond

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  Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)   Salvador Dalí.  M e nino Geopolítico Observando o Nascimento do Novo Homem , 1943. SONHO DE UM SONHO   Sonhei que estava sonhando e que no meu sonho havia um outro sonho esculpido. Os três sonhos sobrepostos dir-se-iam apenas elos de uma infindável cadeia de mitos organizados em derredor de um pobre eu. Eu que, mal de mim! sonhava.   Sonhava que no meu sonho retinha uma zona lúcida para concretar o fluido como abstrair o maciço. Sonhava que estava alerta, e mais do que alerta, lúdico, e receptivo, e magnético, e em torno a mim se dispunham possibilidades claras, e, plástico, o ouro do tempo vinha cingir-me e dourar-me para todo o sempre, para um sempre que ambicionava mas de todo o ser temia... Ai de mim! que mal sonhava.   Sonhei que os entes cativos dessa livre disciplina plenamente floresciam permutando no universo uma dileta substância e um desejo apaziguado de ser um ser com milhares, pois o centro era eu de t...

SONHEI QUE ESTAVA SONHANDO UM SONHO SONHADO: os sentidos dos sonhos

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 Por Wagner Menezes - Historiador e Psicanalista “O sonho é a reverberação de memórias do passado na forma de expectativas quanto ao presente e até o futuro.”   ( Sidarta Ribeiro, neurocientista.   O Oráculo da noite.   São Paulo : Cia das Letras,   p.294.) Salvador Dali.  A persistência da memória, 1931. Apresentação                     O objetivo dessas linhas é apresentar uma visão geral sobre os sonhos, especialmente sob a ótica psicanalítica, mas sempre levando em consideração algumas das últimas descobertas das neurociências.      Durante milhares de anos os sonhos estiveram em primeiro plano e sua interpretação era fundamental para a organização social das pessoas, das famílias, dos grupos sociais e até de Estados. Entretanto, com o advento do capitalismo industrial, os sonhos foram relegados a algo sem nenhuma serventia; um capricho da mente.      Contudo, ...

A POBREZA E A MISÉRIA FAZEM MAL PARA A CABEÇA: a saúde mental também é uma questão social

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Por Wagner Chagas de Menezes – Historiador e Psicanalista     Apresentação               Os efeitos terapêuticos do DMT (dimetiltriptamina), susbstância presente na ayahuasca,   para o tratamento da depressão, assim como seus mecanismos de funcionamento e   sua ação sobre a neuroquímica do cérebro, têm sido estudados no mundo todo.   No Brasil, esses estudos estão muito avançados no Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e seu uso experimental está bastante avançado em pacientes com depressão, resistente às formas tradicionais de tratamento.             Contudo, o objetivo desse texto não é entrar nesse debate acirrado entre a medicina tradicional e corporativa e os conhecimentos da medicina milenar, que nos últimos 70 anos vêm sendo estudados em avançados centros de pesquisas do Brasil e do mundo.  ...

A PERSONALIDADE ANTISSOCIAL COMO PSICOPATIA

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Por Wagner Menezes.  Psicanalista e Historiador  Nas pessoas com personalidade antissocial, o sistema límbico, a parte do cérebro responsável pela empatia e pela solidariedade, está desconectada.  Nos casos mais graves, entra-se no campo das psicopatias. Tanto a sexualidade como a agressividade são naturais no homem desde o seu nascimento; a perversidade não.  A agressividade está ligada ao instinto de sobrevivência, assim como a sexualidade.   Tende-se à agressividade quando se está com fome, medo e dor.  A perversidade não está ligada à manutenção da vida, mas à realização de um prazer mórbido e até narcisista.  Portanto, não há por que confundir agressividade com perversidade. Nas crianças, quais são os indícios de perversidade? 1) Mentiras cada vez mais elaboradas; 2) Tentativa de manipulação pela via emocional ou por chantagens; 3) Prática de furtos domésticos e sociais; 4) Maldade sistemática com irmãos e amigos sem sentimento de...

O MOVIMENTO DE DEMISSÃO SILENCIOSA: resistência psíquica diante da necro-economia neoliberal.

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Por Wagner C de Menezes "Endurecer sempre.  Perder a ternura jamais". (C. Guevara) É preciso resistir sempre e de todas as formas possíveis à grande capacidade do sistema, qualquer sistema, em destruir a saúde física, o afeto e a saúde mental das pessoas.  É legítimo elaborar formas de sobrevivência.  Entregar-se de corpo e alma de forma obrigatória ao trabalho, ignorando que há vida inteligente agradável e interessante fora dali, é um tanto suicida.   É exatamente essa a mensagem, intrínseca ao movimento não organizado conhecido como "demissão silenciosa", que vem se espalhando e se consolidando na Europa, nos EUA e no Brasil já mostra que veio para ficar. Por trás desse movimento, que qualifico de resistência ao necrocapitalismo com a sua máscara neoliberal, assim como as pessoas se obrigam a se enterrar no trabalho, muitas vezes até desagradável e mesmo estando doentes ou adoecendo, por que também não se obrigar a ter uma vida interessante de leituras, fil...

VOU APERTAR E VOU ACENDER AGORA: pulsão, compulsão à repetição, vícios e drogatização

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 (Por Wagner Chagas de Menezes)            Em 1986, o sambista Bezerra da Silva (1927–2005) gravou a música de autoria de Adelzonilton Barbosa da Silva (1943-2016), Moacir Bombeiro e Popular P, intitulado “ Malandragem dá um tempo” .  Os primeiros versos dizem assim : “Vou apertar .  Mas não vou acender agora.  Vou apertar .  Mas não vou acender agora.  Se segura malandro.  Pra fazer a cabeça tem hora” .     Após fazer uma crítica ao ato já no primeiro e segundo versos, o restante da letra fala das vantagens de não levá -lo imediatamente a termo e sempre deixar para depois a sua segunda parte : “ Malandragem dá um tempo.  Deixa essa pá de sujeira ir embora .  É por isso que eu vou apertar .  Mas não vou acender agora.  (…)  Quando os ‘home’ da lei grampeia , Coro come a toda hora.  É por isso que eu vou apertar .  Mas...