Disse Lacan: "A mulher é o sintoma do homem; o homem é uma devastação para uma mulher".
Por Linda Reis - Psicanalista
A Mulher
A mulher não existe. Isto é, o significante "mulher" não existe,uma vez que ela é faltosa, nela há um vazio. Ela reside em um lugar que nem nome tem. Por isso ela busca um homem a título de significante. É só de onde ele a vê que ela pode ter um inconsciente. Através dele ela pode restaurar sua identificação fálica. A sua demanda de amor é sobretudo uma demanda de ser. Se o homem fracassa nessa tarefa, isso será para ela uma devastação, visto que evocará a castração e a impossibilidade de receber uma identificação.
Lembrando que, para Lacan, A mulher não existe. Isto é, o significante mulher. O que existe é UMA mulher. A visão da mulher como um ser, a psicanálise não consegue definir, tamanha a sua complexidade. Daí porque só é possível alcançá-la pelo homem.
Lembrando, ainda, que feminino e masculino na psicanálise não tem a ver com sexo, necessariamente, pois são posições de gozo. Nesse sentido, a devastação é uma exclusividade feminina, não uma exclusividade da mulher.
O Homem
O homem existe referido ao falo. Sua posição fálica tem a ver com sua passagem pelo Édipo. O falo é o significante da posição masculina. O que passa pelo falo, passa pelo Édipo, enquanto constuinte da sua estrutura e da sua posição no masculino. A forma como o homem se relaciona com uma mulher tem a ver com a forma como se relacionou com a mãe (seu primeiro objeto de amor).
Ele se oferece à mulher como aquele que pode preencher uma falta um vazio. Porque ele é referido ao falo. O "sintoma" tem a ver com essa forma da relação dele com o primeiro objeto de amor, para o qual ele se oferece com seu corpo. Como um todo completo e supostamente capaz de completar o feminino. Daí porque ele acredita que uma vez que a mulher o tenha, ela não precisará de mais nada. E daí porque muitos ficam desnorteados com as queixas de uma mulher, ou transtornados ante sua recusa.
Referências:
Lacan, J. (1958/1998). A significação do falo. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Lacan, J. (1960/1995). Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina. Escritos (pp. 734-775). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Lacan, J. (1972-1973/1982). O seminário, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Lacan, J. (1975-1976/2007). O seminário, livro 23: o sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.



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