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A EFICÁCIA DA PSICANÁLISE

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               Por meio de metanálise, “os pesquisadores Falk Leichsenring, professor de psicossomática e psicoterapia da Universidade de Giessen, e Steven Rabung, professor de psicologia médica da Universidade de Hamburgo-Eppendorf, conduziram estudo sobre a eficácia da psicanálise.”  A metanálise, ao empregar avançados métodos estatísticos, “permite equalizar estudos individuais de diferentes tipos, formando assim uma idéia de consenso.” As metafontes foram mais de mil de estudos clínicos, entre 1960 e 2008, com mais de 50 sessões ou mais de um ano.  Os pesquisadores também elaboraram uma definição de psicanálise para diferenciá-la de todas as outras formas de terapia, para termos de estudos e comparações, psicanálise ficou assim definida: “(...) uma terapia que envolve cuidado atento para a interação entre paciente e terapeuta, com interpretações pensadas no tempo, na transferência e na resistência, implicando apreciação sofist...

O JOGO DOS ESPELHOS (MIDE VI): identificação

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  “Máscaras”, 1938, Lasar Segall, óleo sobre tela. Foto: Reprodução Por Wagner Chagas de Menezes Nem toda identificação pode ser considerada um Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego (MIDE).  Há uma forma saudável de identificação que faz parte da construção da personalidade e do caráter do sujeito.  Trata-se daquela em que os valores da civilização e os padrões de comportamentos socialmente aceitos foram assimilados pelo superego das crianças por meio da identificação com os mesmos padrões nos pais.  Neste processo, o ego evolui sem solavancos; sem uma diferenciação muito extrema entre o ego e o superego.  Isto é mais comum quando o sujeito tem um ideal de ego, um modelo equilibrado com o qual se identifica.   Contudo existem formas mórbidas de desenvolvimento da identificação como mais um Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego.  Em todas estas formas, um superego muito investido passa a ser sentido como um corpo estranho no interior da personalidade d...

MECANISMOS INEFICAZES DE DEFESA DO EGO V: fixação, o parceirão da regressão

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  Por Wagner Chagas de Menezes - Psicanalista e Historiador           A fixação como MIDE (Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego) funciona como um complemento da regressão.  Como mecanismos “parceiros”, a fixação precisa da regressão para ser desentocada.  Para Freud, toda neurose implicaria numa fixação, mas nem toda fixação levaria à neurose.             Sinteticamente, a fixação visa defender o ego, mantendo cristalizadas e  enquistadas as fantasias, sentimentos ou condutas relativas a uma determinada época do desenvolvimento psicossexual.             O sujeito adulto, fixado em alguma fase do seu desenvolvimento primário, quando ameaçado, protege-se regredindo à fase em que está fixado.  Isso ocorre por ter sido ela uma zona de conforto no seu tempo mas que, geralmente por pressões e condicionamentos culturais, o sujei...

MECANISMOS INEFICAZES DE DEFESA DO EGO III: Formação Reativa

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       Trata-se de um mecanismo ineficaz de defesa do ego que se evidecia quando um sujeito adota um comportamento oposto ao desejo original, ou seja, substitui o conteúdo produtor de angústia pelo seu oposto.            Um bom exemplo é o genro que diz amar sua sogra como se sua mãe fosse.   Contudo, o impulso original é de ódio.   Desta forma, ele está substituindo o ódio por sua mãe, que talvez tenha componentes concretos neste sentimento, pelo amor por uma outra mulher com a qual não tem história pregressa de conflitos, mas que representa a mãe.   Este amor reativo é diferente do amor real na medida em que ele se apresentará exagerado e extravagante, mascarado pela compulsividade.   Um outro exemplo pode ser daquele sujeito que tem baixa estima devido a um histórico de maus tratos, não se sente suficientemente competente para o cargo que ocupa por ter baixa escolaridade, mas que foi progredind...

“EU PRESTO ATENÇÃO NO QUE ELES DIZEM, MAS ELES NÃO DIZEM NADA.” : a dissonância cognitiva do homem modernamente primitivo ou “mentiras sinceras me interessam” .

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  "EU PRESTO ATENÇÃO NO QUE ELES DIZEM, MAS ELES NÃO DIZEM NADA.” [i] : a dissonância cognitiva do homem modernamente primitivo ou “mentiras sinceras me interessam” [ii] . Por Wagner Chagas de Menezes - Psicanalista e Historiador       Não há dúvidas que uma parte considerável da sociedade brasileira está sofrendo de "dissonância cognitiva":   uma doença fatal de certeza.   Ela se traduz em uma reação irracional a todos e quaisquer dados científicos e estatísticos, que vão de encontro às suas próprias certezas e visão de mundo. Neste caso, os dados são descartados, negados e até encarados como se inimigos fossem. É possível ver isso com clareza no movimento subversivo e ideológicamebte radical da extrema-direita brasileira, conhecido como “Bolsonarismo”.      O psicólogo Leon Festinger (1919-1989), desenvolvedor da Teoria da Dissonância Cognitiva, chamou-a de incômoda tensão que surge quando duas coisas contraditórias são pensadas...

UM PERIGO RONDA AS MULHERES: 16 PONTOS PARA NÃO SER VÍTIMA DE UM DON JUAN

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Poucas coisas são tão constrangedoras e caricatas do que ver uma cena de donjuanismo em andamento.  Já tive esse desprazer.  Quando ocorreu, uma vergonha alheia transformou minha fisionomia... Numa sociedade machista como a brasileira, donjuanismo é visto como do âmbito da normalidade e caracterizaria uma atitude viril.  As artes, a música e o cinema são sensíveis em captar esse tipo. A ópera Dom Giovanni é um bom exemplo, assim como o filme Don Juan de Marco. No Brasil, o donjuanismo é culturalmente visto como sinal de virilidade, mas na verdade é só falta de educação mesmo e até um transtorno de comportamento, dependendo da frequência e intensidade dessa prática no seu cotidiano. Certa vez, em uma situação urbana, eu esbarrei com um tipo desses, o qual se jactava de também ser eleitor do Bolsonaro.  Mas isto não é uma questão política: tem gente de esquerda que também tem comportamentos de Don Juan.   A experiência foi interessante.  Fiquei ali...

CONVIVENDO E AJUDANDO PESSOAS EM DEPRESSÃO

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Wagner  Chagas de Menezes – Psicanalista e Históriador Conviver com pessoas portadoras de depressão é uma vivência que exige amor, paciência, dedicação e muito conhecimento da doença para poder ajudar, não se deixar abater e não reagir de forma emocional às demandas materiais e afetivas que o deprimido faz às pessoas que estão a sua volta, sejam parentes, colegas ou amigos.               Um bom caminho é entender que a causa do problema não é você, que está ali como “cuidador”. O deprimido, especialmente na “depressão reativa”, tem uma grande capacidade de fazer representações em função das suas questões mais interiores, inconscientes. Ele fala, age e pensa quase que no automático. Ele, quase sempre, transfere tudo! As pessoas deprimidas têm grande capacidade de projetar nas outras seus fantasmas, principalmente as imagens das suas figuras objetais. Nem sempre é para você que ela está falando, mas para as figuras que...