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A EFICÁCIA DA PSICANÁLISE

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               Por meio de metanálise, “os pesquisadores Falk Leichsenring, professor de psicossomática e psicoterapia da Universidade de Giessen, e Steven Rabung, professor de psicologia médica da Universidade de Hamburgo-Eppendorf, conduziram estudo sobre a eficácia da psicanálise.”  A metanálise, ao empregar avançados métodos estatísticos, “permite equalizar estudos individuais de diferentes tipos, formando assim uma idéia de consenso.” As metafontes foram mais de mil de estudos clínicos, entre 1960 e 2008, com mais de 50 sessões ou mais de um ano.  Os pesquisadores também elaboraram uma definição de psicanálise para diferenciá-la de todas as outras formas de terapia, para termos de estudos e comparações, psicanálise ficou assim definida: “(...) uma terapia que envolve cuidado atento para a interação entre paciente e terapeuta, com interpretações pensadas no tempo, na transferência e na resistência, implicando apreciação sofist...

O SUPEREGO COMO PARTE DO PROBLEMA (Por Francisco Daudt)

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Por Francisco Daudt “Você acha que acrescentou alguma coisa às teorias psicanalíticas que já existem?” FD: Creio que sim. Espero ser refutado, que alguém venha me mostrar artigos em que minha hipótese já tenha sido descrita. Mas, como em 45 anos de psicanálise clínica nunca li ou ouvi nada de parecido, tenho a impressão de que, sim, é algo novo. Não apenas novo, mas crucial no jeito de se entenderem as doenças psíquicas e na maneira de se criar uma estratégia de tratamento delas. Trata-se de uma nova maneira de ver o Superego. Há uma crença antiga, seja no senso comum, seja na psicanálise, de que o Superego é necessário para a ética, para os processos civilizatórios do indivíduo, para ele ser correto, para eliminação de suas doenças psíquicas e de seus vícios. “Quem não tem Superego é psicopata, é serial killer, é preciso sentir culpa para se andar na linha!”, seria o resumo desse pensamento, dessa crença. Para questioná-lo, é preciso entender o que ele é e como funciona. O Superego é ...

O JOGO DOS ESPELHOS (MIDE VI): identificação

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  “Máscaras”, 1938, Lasar Segall, óleo sobre tela. Foto: Reprodução Por Wagner Chagas de Menezes Nem toda identificação pode ser considerada um Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego (MIDE).  Há uma forma saudável de identificação que faz parte da construção da personalidade e do caráter do sujeito.  Trata-se daquela em que os valores da civilização e os padrões de comportamentos socialmente aceitos foram assimilados pelo superego das crianças por meio da identificação com os mesmos padrões nos pais.  Neste processo, o ego evolui sem solavancos; sem uma diferenciação muito extrema entre o ego e o superego.  Isto é mais comum quando o sujeito tem um ideal de ego, um modelo equilibrado com o qual se identifica.   Contudo existem formas mórbidas de desenvolvimento da identificação como mais um Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego.  Em todas estas formas, um superego muito investido passa a ser sentido como um corpo estranho no interior da personalidade d...

MECANISMOS INEFICAZES DE DEFESA DO EGO V: fixação, o parceirão da regressão

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  Por Wagner Chagas de Menezes - Psicanalista e Historiador           A fixação como MIDE (Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego) funciona como um complemento da regressão.  Como mecanismos “parceiros”, a fixação precisa da regressão para ser desentocada.  Para Freud, toda neurose implicaria numa fixação, mas nem toda fixação levaria à neurose.             Sinteticamente, a fixação visa defender o ego, mantendo cristalizadas e  enquistadas as fantasias, sentimentos ou condutas relativas a uma determinada época do desenvolvimento psicossexual.             O sujeito adulto, fixado em alguma fase do seu desenvolvimento primário, quando ameaçado, protege-se regredindo à fase em que está fixado.  Isso ocorre por ter sido ela uma zona de conforto no seu tempo mas que, geralmente por pressões e condicionamentos culturais, o sujei...

A PSICANÁLISE EXPULSA O "DEMÔNIO" DAS PESSOAS...(MIDE IV)

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  Por Wagner Chagas de Menezes - Psicanalista e Historiador             A conversão é o mais mecânico dos MIDE (Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego).  Trata-se de uma atividade defensiva que vem em socorro e fortalecimento da repressão toda vez que ela vacila em manter material conflitivo mentalmente contido.              Com este mecanismo, uma tendência estranha, que tenta aflorar ao consciente, sofre uma repressão gigantesca, gerando o escoamento da tensão por meio de uma manifestação elétrica do pensamento reprimido ou recalcado por certas inervações do sistema neuromuscular voluntário e sensorial.             A conversão é a manifestação mecânica presente no "Transtorno de Conversão, o qual, até os anos 1950, era chamado de crise de histeria.  As formas mais comuns de sua apresentação são as paralisias, as contrações, os...

O LADO BRILHANTE DA ESCURIDÃO: a depressão como meio para a solução de problemas

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                                                                                                         Por Wagner Chagas de Menezes Apresentação          Em julho de 2009 foi publicado nos EUA a maior e, até o presente, a mais completa metanálise sobre a depressão.  Os autores , Paul W. Andrews e J. Anderson Thomson Jr., são pesquisadores associados aos departamentos de psicologia e psiquiatria da Virginia Commonwealth University e escreveram suas descobertas no fabuloso estudo denominado “ The bright side of being blue: depression as an adaptation for analyzing complex problems ” (*) (O lado brilhante de ser triste: depressão...

MECANISMOS INEFICAZES DE DEFESA DO EGO III: Formação Reativa

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       Trata-se de um mecanismo ineficaz de defesa do ego que se evidecia quando um sujeito adota um comportamento oposto ao desejo original, ou seja, substitui o conteúdo produtor de angústia pelo seu oposto.            Um bom exemplo é o genro que diz amar sua sogra como se sua mãe fosse.   Contudo, o impulso original é de ódio.   Desta forma, ele está substituindo o ódio por sua mãe, que talvez tenha componentes concretos neste sentimento, pelo amor por uma outra mulher com a qual não tem história pregressa de conflitos, mas que representa a mãe.     Este amor reativo é diferente do amor real na medida em que ele se apresentará exagerado e extravagante, mascarado pela compulsividade.     Um outro exemplo pode ser daquele sujeito que tem baixa estima devido a um histórico de maus tratos, não se sente suficientemente competente para o cargo que ocupa por ter baixa escolaridade, mas que ...