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BODERLINE: aquele que vai de si para o outro sem ser uma coisa ou outra.

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Por Wagner Chagas de Menezes.  Psicanalista e Historiador Um psicanalista foi  o primeiro a notar  que havia algo diferentemente novo em alguns dos seus clientes.  Esses  apresentavam um conjunto de sintomas que não ao permitiam situá-los exatamente nas psiconeuroses ou na psicose.  Diante do problema, concluiu que seria melhor enquadrar esses analisandos naquilo que classificou de "grupo limítrofe".   Em 1938 Adolph Stern escreveu  “Psychoanalitic investigation of and the therapy in the borderline group of neuroses”, The Psychoanalytic Quarterly, vol. 7, 1938, pp. 467-489.",  o primeiro texto sobre o que hoje se chama Transtorno de Personalidade Boderline.  Este texto lançou as bases do diagnóstico desse transtorno psíquico e que são aceitas e usadas até hoje.  Ultimamente, tenho visto muitas pessoas serem diagnosticadas como boderlines.  No Facebook há alguns grupos de usuários, com milhares de participantes, que foram o...

CASO NÃO SE GOZE AGORA BROCHA-SE PARA SEMPRE?: ainda está valendo a pena ou não adiar a satisfação de um desejo imediato?

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 Por Wagner Menezes - Psicanalista e Historiador             A mente funciona como um sistema econômico de investimentos.  Em uma economia de mercado e de investimentos simbólicos e financeiros todo mundo quer investir para ganhar; e quanto mais rápido melhor.  Obter a maior satisfação com o menor de dispêndio de energia psíquica é o Santo Graal do exercício de investimento dos desejos da esmagadora maioria  das pessoas.  Por tudo isso é que o "princípio da evitação do desprazer" é o fundamento da economia psíquica. É aí que reside a  grande armadilha que prende as pessoas a um casamento infeliz; a um emprego medíocre; a amizades desproporcionais ou até tóxica e até a governos autoritários e que governam  contra o bem estar individual ou coletivo.   Tudo bem que um pouco de frustração na vida nos faz crescer e amadurecer quando bem elaborada.  Isso pode acontecer se a frustração vier imediatamente a...

A EFICÁCIA DA PSICANÁLISE

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               Por meio de metanálise, “os pesquisadores Falk Leichsenring, professor de psicossomática e psicoterapia da Universidade de Giessen, e Steven Rabung, professor de psicologia médica da Universidade de Hamburgo-Eppendorf, conduziram estudo sobre a eficácia da psicanálise.”  A metanálise, ao empregar avançados métodos estatísticos, “permite equalizar estudos individuais de diferentes tipos, formando assim uma idéia de consenso.” As metafontes foram mais de mil de estudos clínicos, entre 1960 e 2008, com mais de 50 sessões ou mais de um ano.  Os pesquisadores também elaboraram uma definição de psicanálise para diferenciá-la de todas as outras formas de terapia, para termos de estudos e comparações, psicanálise ficou assim definida: “(...) uma terapia que envolve cuidado atento para a interação entre paciente e terapeuta, com interpretações pensadas no tempo, na transferência e na resistência, implicando apreciação sofist...

O JOGO DOS ESPELHOS (MIDE VI): identificação

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  “Máscaras”, 1938, Lasar Segall, óleo sobre tela. Foto: Reprodução Por Wagner Chagas de Menezes Nem toda identificação pode ser considerada um Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego (MIDE).  Há uma forma saudável de identificação que faz parte da construção da personalidade e do caráter do sujeito.  Trata-se daquela em que os valores da civilização e os padrões de comportamentos socialmente aceitos foram assimilados pelo superego das crianças por meio da identificação com os mesmos padrões nos pais.  Neste processo, o ego evolui sem solavancos; sem uma diferenciação muito extrema entre o ego e o superego.  Isto é mais comum quando o sujeito tem um ideal de ego, um modelo equilibrado com o qual se identifica. Contudo existem formas mórbidas de desenvolvimento da identificação como mais um Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego.  Em todas estas formas, um superego muito investido passa a ser sentido como um corpo estranho no interior da personalidade do sujei...

MECANISMOS INEFICAZES DE DEFESA DO EGO V: fixação, o parceirão da regressão

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  Por Wagner Chagas de Menezes - Psicanalista e Historiador           A fixação como MIDE (Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego) funciona como um complemento da regressão.  Como mecanismos “parceiros”, a fixação precisa da regressão para ser desentocada.  Para Freud, toda neurose implicaria numa fixação, mas nem toda fixação levaria à neurose.             Sinteticamente, a fixação visa defender o ego, mantendo cristalizadas e  enquistadas as fantasias, sentimentos ou condutas relativas a uma determinada época do desenvolvimento psicossexual.             O sujeito adulto, fixado em alguma fase do seu desenvolvimento primário, quando ameaçado, protege-se regredindo à fase em que está fixado.  Isso ocorre por ter sido ela uma zona de conforto no seu tempo mas que, geralmente por pressões e condicionamentos culturais, o sujei...

“EU PRESTO ATENÇÃO NO QUE ELES DIZEM, MAS ELES NÃO DIZEM NADA.” : a dissonância cognitiva do homem modernamente primitivo ou “mentiras sinceras me interessam” .

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  "EU PRESTO ATENÇÃO NO QUE ELES DIZEM, MAS ELES NÃO DIZEM NADA.” [i] : a dissonância cognitiva do homem modernamente primitivo ou “mentiras sinceras me interessam” [ii] . Por Wagner Chagas de Menezes - Psicanalista e Historiador       Não há dúvidas que uma parte considerável da sociedade brasileira está sofrendo de "dissonância cognitiva":   uma doença fatal de certeza.   Ela se traduz em uma reação irracional a todos e quaisquer dados científicos e estatísticos, que vão de encontro às suas próprias certezas e visão de mundo. Neste caso, os dados são descartados, negados e até encarados como se inimigos fossem. É possível ver isso com clareza no movimento subversivo e ideológicamebte radical da extrema-direita brasileira, conhecido como “Bolsonarismo”.      O psicólogo Leon Festinger (1919-1989), desenvolvedor da Teoria da Dissonância Cognitiva, chamou-a de incômoda tensão que surge quando duas coisas contraditórias são pensadas...

UM PERIGO RONDA AS MULHERES: 16 PONTOS PARA NÃO SER VÍTIMA DE UM DON JUAN

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Poucas coisas são tão constrangedoras e caricatas do que ver uma cena de donjuanismo em andamento.  Já tive esse desprazer.  Quando ocorreu, uma vergonha alheia transformou minha fisionomia... Numa sociedade machista como a brasileira, donjuanismo é visto como do âmbito da normalidade e caracterizaria uma atitude viril.  As artes, a música e o cinema são sensíveis em captar esse tipo. A ópera Dom Giovanni é um bom exemplo, assim como o filme Don Juan de Marco. No Brasil, o donjuanismo é culturalmente visto como sinal de virilidade, mas na verdade é só falta de educação mesmo e até um transtorno de comportamento, dependendo da frequência e intensidade dessa prática no seu cotidiano. Certa vez, em uma situação urbana, eu esbarrei com um tipo desses, o qual se jactava de também ser eleitor do Bolsonaro.  Mas isto não é uma questão política: tem gente de esquerda que também tem comportamentos de Don Juan.   A experiência foi interessante.  Fiquei ali...