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A PSICANÁLISE EXPULSA O "DEMÔNIO" DAS PESSOAS...(MIDE IV)

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  Por Wagner Chagas de Menezes - Psicanalista e Historiador             A conversão é o mais mecânico dos MIDE (Mecanismo Ineficaz de Defesa do Ego).  Trata-se de uma atividade defensiva que vem em socorro e fortalecimento da repressão toda vez que ela vacila em manter material conflitivo mentalmente contido.              Com este mecanismo, uma tendência estranha, que tenta aflorar ao consciente, sofre uma repressão gigantesca, gerando o escoamento da tensão por meio de uma manifestação elétrica do pensamento reprimido ou recalcado por certas inervações do sistema neuromuscular voluntário e sensorial.             A conversão é a manifestação mecânica presente no "Transtorno de Conversão, o qual, até os anos 1950, era chamado de crise de histeria.  As formas mais comuns de sua apresentação são as paralisias, as contrações, os...

O LADO BRILHANTE DA ESCURIDÃO: a depressão como meio para a solução de problemas

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                                                                                                         Por Wagner Chagas de Menezes Apresentação          Em julho de 2009 foi publicado nos EUA a maior e, até o presente, a mais completa metanálise sobre a depressão.  Os autores , Paul W. Andrews e J. Anderson Thomson Jr., são pesquisadores associados aos departamentos de psicologia e psiquiatria da Virginia Commonwealth University e escreveram suas descobertas no fabuloso estudo denominado “ The bright side of being blue: depression as an adaptation for analyzing complex problems ” (*) (O lado brilhante de ser triste: depressão...

MECANISMOS INEFICAZES DE DEFESA DO EGO III: Formação Reativa

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       Trata-se de um mecanismo ineficaz de defesa do ego que se evidecia quando um sujeito adota um comportamento oposto ao desejo original, ou seja, substitui o conteúdo produtor de angústia pelo seu oposto.            Um bom exemplo é o genro que diz amar sua sogra como se sua mãe fosse.   Contudo, o impulso original é de ódio.   Desta forma, ele está substituindo o ódio por sua mãe, que talvez tenha componentes concretos neste sentimento, pelo amor por uma outra mulher com a qual não tem história pregressa de conflitos, mas que representa a mãe.     Este amor reativo é diferente do amor real na medida em que ele se apresentará exagerado e extravagante, mascarado pela compulsividade.     Um outro exemplo pode ser daquele sujeito que tem baixa estima devido a um histórico de maus tratos, não se sente suficientemente competente para o cargo que ocupa por ter baixa escolaridade, mas que ...

“EU PRESTO ATENÇÃO NO QUE ELES DIZEM, MAS ELES NÃO DIZEM NADA.” : a dissonância cognitiva do homem modernamente primitivo ou “mentiras sinceras me interessam” .

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  "EU PRESTO ATENÇÃO NO QUE ELES DIZEM, MAS ELES NÃO DIZEM NADA.” [i] : a dissonância cognitiva do homem modernamente primitivo ou “mentiras sinceras me interessam” [ii] . Por Wagner Chagas de Menezes - Psicanalista e Historiador       Não há dúvidas que uma parte considerável da sociedade brasileira está sofrendo de "dissonância cognitiva":   uma doença fatal de certeza.   Ela se traduz em uma reação irracional a todos e quaisquer dados científicos e estatísticos, que vão de encontro às suas próprias certezas e visão de mundo. Neste caso, os dados são descartados, negados e até encarados como se inimigos fossem. É possível ver isso com clareza no movimento subversivo e ideológicamebte radical da extrema-direita brasileira, conhecido como “Bolsonarismo”.      O psicólogo Leon Festinger (1919-1989), desenvolvedor da Teoria da Dissonância Cognitiva, chamou-a de incômoda tensão que surge quando duas coisas contraditórias são pensadas...

UM PERIGO RONDA AS MULHERES: 16 PONTOS PARA NÃO SER VÍTIMA DE UM DON JUAN

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Poucas coisas são tão constrangedoras e caricatas do que ver uma cena de donjuanismo em andamento.  Já tive esse desprazer.  Quando ocorreu, uma vergonha alheia transformou minha fisionomia... Numa sociedade machista como a brasileira, donjuanismo é visto como do âmbito da normalidade e caracterizaria uma atitude viril.  As artes, a música e o cinema são sensíveis em captar esse tipo. A ópera Dom Giovanni é um bom exemplo, assim como o filme Don Juan de Marco. No Brasil, o donjuanismo é culturalmente visto como sinal de virilidade, mas na verdade é só falta de educação mesmo e até um transtorno de comportamento, dependendo da frequência e intensidade dessa prática no seu cotidiano. Certa vez, em uma situação urbana, eu esbarrei com um tipo desses, o qual se jactava de também ser eleitor do Bolsonaro.  Mas isto não é uma questão política: tem gente de esquerda que também tem comportamentos de Don Juan.   A experiência foi interessante.  Fiquei ali...

CONVIVENDO E AJUDANDO PESSOAS EM DEPRESSÃO

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Wagner  Chagas de Menezes – Psicanalista e Históriador Conviver com pessoas portadoras de depressão é uma vivência que exige amor, paciência, dedicação e muito conhecimento da doença para poder ajudar, não se deixar abater e não reagir de forma emocional às demandas materiais e afetivas que o deprimido faz às pessoas que estão a sua volta, sejam parentes, colegas ou amigos.               Um bom caminho é entender que a causa do problema não é você, que está ali como “cuidador”. O deprimido, especialmente na “depressão reativa”, tem uma grande capacidade de fazer representações em função das suas questões mais interiores, inconscientes. Ele fala, age e pensa quase que no automático. Ele, quase sempre, transfere tudo! As pessoas deprimidas têm grande capacidade de projetar nas outras seus fantasmas, principalmente as imagens das suas figuras objetais. Nem sempre é para você que ela está falando, mas para as figuras que...

MITOLOGIA DA PAIXÃO - Parte I: Afrodite, Eros e Psiqué no divã.

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  Apresentação             A paixão foi um mecanismo de atração surgido em convergência com as leis da evolução e da perpetuação da espécie humana com o objetivo de proporcionar uma vantagem competitiva para a espécie humana.   Apaixonados, os casais humanos, desde sempre, tem maior probabilidade de manter viva a prole na fase crítica do crescimento, ou seja, dos 3 aos 4 anos de idade. Paixão nenhuma dura mais que isso.   A paixão é a resposta cultural a uma exigência da natureza.   O instinto humano o leva a buscar um parceiro(a), mas a escolha desse e não daquele homem ou mulher passa por filtros culturais; estes filtros, Freud denominava de desejo.             Saber o que acontece quando a paixão acaba pode ajudar muita gente a passar mais rapidamente pelo luto, a dirimir o sofrimento e olhar a situação com mais racionalidade.   Mas não alimentemo...