OS CINCO ESTÁGIOS DA REAÇÃO ÀS PERDAS

 


Por Wagner Chagas de Menezes - Psicanalista e Professor de História


    Os cinco estágios de como reagimos durante o luto diante de uma perda pessoal, separações, desemprego, queda salarial, entre outras perdas.

    Está atualmente em curso por parte do governo federal as tais "reformas" trabalhistas e previdenciárias. Elas tem o apoio do chamado Centrão no Congresso Nacional Brasileiro. O Centrão é um conglomerado de pequenos partidos fisiológicos que tem a ARENA no seu DNA original. A ARENA foi o partido que liderou os interesses da ditadura militar no Brasil entre 1964 e 1985. Com as tais "reformas", a classe trabalhadora brasileira começou uma nova via crucis. Ela se traduz em taxas recordes de desemprego, insegurança alimentar, carestia, empregos precarizados por trabalho para aplicativos (APP), fome, miséria e, para piorar, as milhares de mortes por Covid-19. Então, como deve estar sendo o luto dos brasileiros? Vejamos:

    Em seu estudo clássico On Death and Dying, Elisabeth Kübler-Ross propôs o famoso esquema de cinco estágios de como reagimos ao saber que temos uma doença terminal:

1) negação (a pessoa simplesmente se recusa a aceitar o fato: “Isso não pode estar acontecendo, não comigo.”);
2) raiva (que explode quando já não podemos negar o fato: “Como isso pode acontecer comigo.”);
3) negociação (a esperança de que podemos de alguma forma adiar ou diminuir o fato: “Apenas deixe-me viver para ver meu filho graduado.”);
4) depressão (desinvestimento libidinal: “Eu vou morrer, então por que se preocupar com alguma coisa?”);
5) aceitação (“Eu não posso lutar contra isso, mas eu bem posso me preparar para isso.”).

    Mais tarde, Kübler-Ross aplicou esses estágios a qualquer forma de perda catastrófica pessoal (desemprego, morte de um ente querido, divórcio, vício em drogas) e enfatizou que eles não acontecem necessariamente na mesma ordem, nem que os cinco estágios são vivenciados por todos os pacientes.

    Diante disso, os brasileiros pensantes precisam se preparar para o que os espera pela frente e sobreviver à travessia desse deserto, a não ser que ocorra um quase "milagre". Tem gente que acredita em milagres.... Saber o que se espera de tais acontecimentos marcantes é importante para nomear a própria dor e o sofrimento alheio sendo solidários; encontrar suas causas no real, manter a saúde física e mental por meio de objetivos próximos e mais factível de serem realizados.

Gráfico: O posicionamento dos salários e as fases do luto.

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